CPB amplia inclusão produtiva com formação para empresas, em parceria com a Unilehu

A inclusão não termina quando uma pessoa com deficiência chega ao esporte. Ela também precisa estar presente quando essa pessoa busca trabalho, renda, autonomia e pertencimento. É nesse encontro entre a experiência paralímpica e o mundo do trabalho que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) abriu, nesta quinta-feira (17), o Programa de Formação em Liderança Inclusiva, baseado na metodologia do Emprego Apoiado.

A iniciativa reúne empresas e profissionais de recursos humanos para ampliar a preparação das organizações para a contratação, a integração e o desenvolvimento de pessoas com deficiência. A formação é realizada em parceria com a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu) e integra o Programa Inspiração Paralímpica de Inclusão Produtiva e Geração de Renda.

“Nem todas as pessoas com deficiência que são atendidas aqui no Comitê Paralímpico terão o esporte de alto rendimento como caminho. Por isso, quando pensamos em cidadania, precisamos ampliar as possibilidades. A inclusão também passa pelo trabalho, pela geração de renda e pela oportunidade de a pessoa com deficiência ocupar seu espaço na sociedade”, afirmou José Antônio Ferreira Freire, presidente do CPB.

A fotografia registra um evento em um auditório, durante uma apresentação sobre inclusão e liderança .No centro da imagem, há dois homens em pé, diante de uma mesa coberta por uma toalha branca. Ambos usam óculos escuros. O homem à esquerda veste camisa azul listrada e blazer cinza-esverdeado. Ao lado dele, um homem de cabelos grisalhos veste terno cinza-claro sobre camisa branca e segura um microfone próximo à boca, aparentando estar falando ao público. À direita, sentada atrás da mesa, há uma mulher de cabelos grisalhos e compridos, usando óculos de grau, blazer vinho e lenço estampado no pescoço. Ela observa a apresentação. Ao fundo, um telão exibe o título: “FORMAÇÃO EM LIDERANÇA INCLUSIVA”, seguido da frase “com base na Metodologia do Emprego Apoiado”. Também aparece a mensagem: “Inclusão no emprego é oportunidade.” No canto direito do telão, há um círculo com a frase “Juntos, podemos ir mais longe!”, acompanhado de um símbolo representando pessoas conectadas. No lado esquerdo da fotografia, há um banner vertical azul-escuro com os logotipos do Brasil Paralímpico e do Comitê Paralímpico Brasileiro. Na parte inferior, lê-se em letras grandes: “SOMOS BRASIL”, com destaque em amarelo. Em primeiro plano, de costas para a câmera, estão várias pessoas sentadas assistindo ao evento. Algumas têm cabelos claros ou castanhos, e uma pessoa à direita veste uma peça de roupa azul-clara. Entre o público e os apresentadores há equipamentos audiovisuais, como monitores e suportes. A imagem transmite o ambiente de uma formação presencial, com participantes reunidos para discutir liderança, inclusão e oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência.
Legenda foto 1: Lançamento do Programa de Formação em Liderança Inclusiva, iniciativa do CPB em parceria com a Unilehu | Marcello Zambrana/CPB

 

Do esporte ao mercado de trabalho

Para o coordenador do Inspiração Paralímpica, Antônio José Ferreira, a inclusão produtiva é uma extensão do trabalho que o Comitê Paralímpico Brasileiro desenvolve no esporte. “O grande objetivo é empregar pessoas com deficiência, garantir emprego e geração de renda para pessoas com deficiência e fazer isso de forma sustentável, de forma que os colaboradores se sintam pertencentes às empresas, que se sintam acolhidos, e que esse ambiente de trabalho seja um ambiente inclusivo”, explicou.

A formação aberta nesta semana reúne 120 participantes de 60 empresas parceiras e terá duração de cinco meses, com conteúdo voltado a profissionais de recursos humanos, gestores e equipes envolvidos nos processos de recrutamento, desenvolvimento e inclusão. A proposta é aproximar as empresas das ferramentas necessárias para ampliar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

O Inspiração Paralímpica é a frente do CPB dedicada à inclusão produtiva e à geração de renda. Ao aproximar empresas e pessoas com deficiência, o programa vem ampliando as possibilidades de inserção profissional. Neste ano, essa atuação já contribuiu para a contratação de quase 150 pessoas com deficiência.

 

Ferramentas para inclusão no trabalho

Para Maria de Fátima, consultora do Inspiração Paralímpica, os desafios da inclusão aparecem em diferentes momentos e muitas vezes começam com dúvidas sobre como conduzir situações do cotidiano. Por isso, o Programa de Formação em Liderança Inclusiva também reúne materiais de orientação para profissionais envolvidos nos processos de contratação e para pessoas com deficiência.

“Uma cartilha ou um guia não dão conta de tudo, mas, quando a gente tem uma ajuda para uma possibilidade, uma oportunidade que precisa ser resolvida, esse material pode fazer a diferença”, afirmou.

Entre as orientações estão questões relacionadas aos processos seletivos, entrevistas e documentação. Um dos exemplos apresentados por Maria de Fátima trata do laudo de deficiência: a recomendação é que a pessoa não entregue o documento original, já que a obtenção de uma nova via pode ser difícil. Os materiais também abordam situações que envolvem a preparação das equipes e a construção de ambientes de trabalho acessíveis.

Para as empresas, o material “Inclusão no Trabalho” reúne 11 capítulos organizados em quatro blocos, com temas como contexto e mudança de mentalidade, não discriminação, diversidade, equidade, ações afirmativas, capacitismo, legislação e acessibilidade. A proposta é ampliar a compreensão sobre inclusão para além dos setores de recursos humanos, envolvendo também gestores e demais profissionais das organizações.

 

Uma parceria construída para incluir

A parceria com a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu) começou a ser construída no fim do ano passado. Presidente da instituição, Yvy Karla Bustamante Abbade destacou que a formação foi desenvolvida a partir de uma proposta construída ao longo dos últimos meses e baseada na metodologia do Emprego Apoiado.

“Não há outra formação como esta que se propõe a desenvolver líderes inclusivos com base na metodologia do Emprego Apoiado. Vocês vão se surpreender a cada módulo com a construção que foi feita”, afirmou.

Yvy também ressaltou a trajetória da Unilehu, que há 22 anos atua na inclusão profissional de pessoas com deficiência e hoje reúne 60 empresas em um consórcio social. Ao falar sobre a parceria com o CPB, ela destacou a confiança construída entre as instituições e apresentou uma homenagem aos representantes do Comitê.

A formação em Liderança Inclusiva será concluída em 9 de dezembro, com certificação dos participantes, e uma nova turma está prevista para o próximo ano.

 

Novos caminhos para a inclusão

O Inspiração Paralímpica já prepara novas ações para ampliar esse trabalho. Entre elas está um curso on-line de Libras, com inscrições previstas para os próximos meses, voltado à ampliação da comunicação e à preparação das empresas para acolher pessoas surdas.

Com a formação de lideranças, a aproximação com empresas e a criação de novas oportunidades, o CPB amplia a atuação do Inspiração Paralímpica e leva à inclusão para além das quadras e pistas.

Caro leitor e leitora, se o esporte pode abrir caminhos, quantas outras trajetórias podem começar quando o trabalho também se torna espaço de autonomia, renda e pertencimento?

Fonte: https://inspiracaoparalimpica.org.br/comite-paralimpico-brasileiro-amplia-inclusao-produtiva-com-formacao-para-empresas-em-parceria-com-a-unilehu/

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