A inclusão não termina quando uma pessoa com deficiência chega ao esporte. Ela também precisa estar presente quando essa pessoa busca trabalho, renda, autonomia e pertencimento. É nesse encontro entre a experiência paralímpica e o mundo do trabalho que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) abriu, nesta quinta-feira (17), o Programa de Formação em Liderança Inclusiva, baseado na metodologia do Emprego Apoiado.
A iniciativa reúne empresas e profissionais de recursos humanos para ampliar a preparação das organizações para a contratação, a integração e o desenvolvimento de pessoas com deficiência. A formação é realizada em parceria com a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu) e integra o Programa Inspiração Paralímpica de Inclusão Produtiva e Geração de Renda.
“Nem todas as pessoas com deficiência que são atendidas aqui no Comitê Paralímpico terão o esporte de alto rendimento como caminho. Por isso, quando pensamos em cidadania, precisamos ampliar as possibilidades. A inclusão também passa pelo trabalho, pela geração de renda e pela oportunidade de a pessoa com deficiência ocupar seu espaço na sociedade”, afirmou José Antônio Ferreira Freire, presidente do CPB.

Do esporte ao mercado de trabalho
Para o coordenador do Inspiração Paralímpica, Antônio José Ferreira, a inclusão produtiva é uma extensão do trabalho que o Comitê Paralímpico Brasileiro desenvolve no esporte. “O grande objetivo é empregar pessoas com deficiência, garantir emprego e geração de renda para pessoas com deficiência e fazer isso de forma sustentável, de forma que os colaboradores se sintam pertencentes às empresas, que se sintam acolhidos, e que esse ambiente de trabalho seja um ambiente inclusivo”, explicou.
A formação aberta nesta semana reúne 120 participantes de 60 empresas parceiras e terá duração de cinco meses, com conteúdo voltado a profissionais de recursos humanos, gestores e equipes envolvidos nos processos de recrutamento, desenvolvimento e inclusão. A proposta é aproximar as empresas das ferramentas necessárias para ampliar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
O Inspiração Paralímpica é a frente do CPB dedicada à inclusão produtiva e à geração de renda. Ao aproximar empresas e pessoas com deficiência, o programa vem ampliando as possibilidades de inserção profissional. Neste ano, essa atuação já contribuiu para a contratação de quase 150 pessoas com deficiência.
Ferramentas para inclusão no trabalho
Para Maria de Fátima, consultora do Inspiração Paralímpica, os desafios da inclusão aparecem em diferentes momentos e muitas vezes começam com dúvidas sobre como conduzir situações do cotidiano. Por isso, o Programa de Formação em Liderança Inclusiva também reúne materiais de orientação para profissionais envolvidos nos processos de contratação e para pessoas com deficiência.
“Uma cartilha ou um guia não dão conta de tudo, mas, quando a gente tem uma ajuda para uma possibilidade, uma oportunidade que precisa ser resolvida, esse material pode fazer a diferença”, afirmou.
Entre as orientações estão questões relacionadas aos processos seletivos, entrevistas e documentação. Um dos exemplos apresentados por Maria de Fátima trata do laudo de deficiência: a recomendação é que a pessoa não entregue o documento original, já que a obtenção de uma nova via pode ser difícil. Os materiais também abordam situações que envolvem a preparação das equipes e a construção de ambientes de trabalho acessíveis.
Para as empresas, o material “Inclusão no Trabalho” reúne 11 capítulos organizados em quatro blocos, com temas como contexto e mudança de mentalidade, não discriminação, diversidade, equidade, ações afirmativas, capacitismo, legislação e acessibilidade. A proposta é ampliar a compreensão sobre inclusão para além dos setores de recursos humanos, envolvendo também gestores e demais profissionais das organizações.
Uma parceria construída para incluir
A parceria com a Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu) começou a ser construída no fim do ano passado. Presidente da instituição, Yvy Karla Bustamante Abbade destacou que a formação foi desenvolvida a partir de uma proposta construída ao longo dos últimos meses e baseada na metodologia do Emprego Apoiado.
“Não há outra formação como esta que se propõe a desenvolver líderes inclusivos com base na metodologia do Emprego Apoiado. Vocês vão se surpreender a cada módulo com a construção que foi feita”, afirmou.
Yvy também ressaltou a trajetória da Unilehu, que há 22 anos atua na inclusão profissional de pessoas com deficiência e hoje reúne 60 empresas em um consórcio social. Ao falar sobre a parceria com o CPB, ela destacou a confiança construída entre as instituições e apresentou uma homenagem aos representantes do Comitê.
A formação em Liderança Inclusiva será concluída em 9 de dezembro, com certificação dos participantes, e uma nova turma está prevista para o próximo ano.
Novos caminhos para a inclusão
O Inspiração Paralímpica já prepara novas ações para ampliar esse trabalho. Entre elas está um curso on-line de Libras, com inscrições previstas para os próximos meses, voltado à ampliação da comunicação e à preparação das empresas para acolher pessoas surdas.
Com a formação de lideranças, a aproximação com empresas e a criação de novas oportunidades, o CPB amplia a atuação do Inspiração Paralímpica e leva à inclusão para além das quadras e pistas.
Caro leitor e leitora, se o esporte pode abrir caminhos, quantas outras trajetórias podem começar quando o trabalho também se torna espaço de autonomia, renda e pertencimento?